Seminário Direito à Cidade | Right to the City

Simpósio co-organizado por Raquel Rolnik e Zeyno Pekünlü reuniu artistas, ativistas e acadêmicos da Turquia e de diversas cidades do Brasil em programação paralela da 31ª Bienal de São Paulo.

A primeira parte, em 27 e 28 de setembro de 2014, discutiu a cidade neoliberal, a política de moradia, os megaprojetos urbanos e os movimentos sociais de resistência.

A segunda parte do simpósio aconteceu dias 22 e 23 de novembro de 2014 e discutiu ativismo, políticas de controle, criminalização dos pobres, militarização e o papel da arte engajada em contextos urbanos.

Além da documentação e registro das palestras, a Doctela realizou durante o seminário o documentário Urban Places Public Spaces (7 minutos, 2015 – em breve).

Veja abaixo programação completa e assista algumas das atividades registradas pela Doctela.

Parte I

27 de setembro

11h30 – 13h30 – Megaprojetos, impacto e resistências, por Carlos Vainer e Yaşar Adanalı
15h – 18h – Painel de discussão e apresentação de estudo de casos, com Renato Cosentino (Comitê Popular da Copa RJ), Cristina Gouveia e Venefrida Lemos (Ocupe Estelita), Parque Augusta e Zeyno Pekünlü (Gezi Park)

18h30 – 20h30 – Projeção do filme Ecumenapolis: cidade sem limites, seguida de uma conversa com o diretor İmre Azem

 

28 de setembro

14h – 15h – Financeirização da moradia: a vida como uma mercadoria fictícia, por Raquel Rolnik.

15h – 17h – Painel de discussão e apresentação de estudo de casos, com Fırat Genç (TOKI), Simone Gatti e Arnaldo de Melo (Nova Luz), Guilherme Boulos (MTST), Evaniza Rodrigues (UMM)

 

Parte II

 

22 de novembro

12h – 12h45: Produção de espaços, formas de controle e conflitos, Vera Telles

A gramática bélica e gestão militarizada dos espaços urbanos é questão que se coloca hoje no cenário das cidades globalizadas, colocando no centro das discussões os sentidos e efeitos da lógica securitária que rege a gestão da cidade e dos seus espaços, as populações, seus modos e seus movimentos. Se as evidências são várias, ainda resta entender os nexos que articulam o governo da segurança, o governo dos espaços urbanos e as estratégias de mercantilização da cidade. Em outras palavras, os nexos entre estratégias de poder, violência e a produção dos mercados. Tomando como referência acontecimentos recentes na cidade de Sao Paulo (e outras), a hipótese que se pretende explorar nessa exposição é que as formas de controle hoje inscritas na produção dos espaços urbanos parecem configurar campos de tensão e de gravitação de uma conflitualidade urbana, que nos entregam pistas para compreender a face politica das configurações urbanas recentes.

 

14h30 – 15h15: Violência policial e as “classes perigosas”: As possibilidades políticas na idade da segurança e da anti-política, Deniz Yonucu

Com base principalmente nos casos de violência policial e criminalidade em bairros da classe operária de Istambul e dando exemplos dos EUA, França e Brasil, nesta palestra discutirei como a criminalização da juventude urbana pobre (racializada) e a associação do perigo com a pobreza se traduzem em violência na vida cotidiana das populações urbanas pobres. Na linha do filósofo francês Rancière, apresentarei uma definição mais ampla da polícia que vai além do aparelho de segurança do Estado. Argumentarei que as formações de segurança do Estado moderno, que colocam a polícia no centro da ordem social, buscam ativamente despolitizar lutas políticas potenciais ou reais. Consequentemente, esta palestra, valendo-se dos casos de violência da polícia, convidará a plateia a refletir sobre a relação entre a polícia e a política e questionar as formas possíveis de política sob o regime polícia/segurança em que vivemos.

15h45 – 16h30: As margens do desenvolvimento brasileiro: violência e controle militar da pobreza urbana, Gabriel Feltran

O Brasil passa atualmente por uma transformação importante em grande parte devido ao desenvolvimento econômico experimentado durante a última década. Por um lado, as taxas de desemprego alcançaram o nível mais baixo da história e os indicadores sociais estão gradualmente melhorando. Por outro lado, este cenário paradoxal reflete níveis renovados de conflito urbano, enormes protestos e violência. Este cenário paradoxal pode ser medido especificamente nos territórios e grupos sociais considerados “marginalizados”. Trabalhadores manuais ou pobres evangélicos conseguem com muita facilidade adquirir seus iPhones; ao mesmo tempo, todos eles têm uma probabilidade muito maior de serem presos. A apresentação refletirá sobre os modos diferenciais (controle militar, encarceramento, gestão social, monetarização) pelos quais territórios e populações marginais estão sendo controlados no Brasil contemporâneo e como isto pode ser traduzido em termos de “desenvolvimento”.

17h – 18h30: Painel de discussão e apresentações, Almires Martins, Clara Ianni, Débora Maria da Silva, Éder Oliveira

 

19h: Projeção do filme Z32, seguida de conversa com o diretor Avi Mograbi
Z32 é construído em torno de uma confissão – o relato de um jovem sobre sua participação no assassinato por vingança de dois oficiais da polícia palestina pelo exército israelense nos territórios ocupados. Em torno do relato do soldado, Mograbi entrelaça a discussão, extensa e muitas vezes áspera, do relacionamento de um casal, pontuada pelo próprio Mograbi dirigindo-se para a câmera, como faz tipicamente. Camadas adicionais de complexidade são acrescentadas pelo uso de uma “máscara” digital, tanto para disfarçar a identidade do jovem soldado como para enfatizar a política da câmera como testemunha, e pela decisão radical de Mograbi de interpretar seus próprios elementos de reflexão, como canções brechtianas com música de Kurt Weill. Os elementos radicais do projeto de Mograbi se combinam para levantar questões dolorosas e incômodas sobre responsabilidade, perdão e a forma da verdade cinematográfica.

 

23 de novembro, 

12h – 12h45: Ativismo dividual no capitalismo maquínico, Gerald Raunig

A noção de individuo estabelecida há séculos começa a vacilar. Começa a época do dividual. A má noticia: o dividual revela-se sobretudo como uma agravação da exploração e da cooptação no capitalismo das máquinas: em algoritmos, derivadas, grandes volumes de dados e mídias sociais a dividualidade funciona como ampliação desenfreada da divisão do poder e da divisão do individuo. A boa noticia: justamente no terreno do dividual manifesta-se uma nova qualidade de resistência, compreendida como uma diversidade crítica, uma revolução molecular e uma co-divisão.

13h – 14h30Almoço + Lançamento do livro O Espaço como Obra: Ações, Coletivos Artísticos e Cidade, de Joana Zatz Mussi. Uma co-edição: Annablume e Invisíveis Produções, com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo)

 

14h30 – 15h: Temporalidades urbanas e ações artísticas: mútuas tensões no presente, Vera Pallamin
A condição urbana contemporânea assenta-se, atualmente, em dinâmicas associadas à mundialização do mercado e do capital, envolvendo distintos ritmos de fragmentação espacial e segregação social, em prol do predomínio da produção de excedente e de valor. Estamos em meio a uma ordem preponderante do tempo pautada, por um lado, por um presente prolongado, que despotencializa o futuro e, por outro, pelo elogio do imediato, propalado pelas tecnologias digitais, pelo controle e pelo consumo. Interessa-nos pensar, sob esta tensão, como ações artísticas em espaços urbanos buscam escapar dessas categorias temporais dominantes.

15h – 15h30: “Pode ser visto até a demolição”: Ruínas urbanas, street art e gentrificação em Istanbul, Begüm Özden Firat
Focalizando quatro eventos sucessivos de arte de rua que ocorreram na área de revitalização urbana empreendida pelo Estado em Tarlabaşı, esta apresentação discutirá os modos pelos quais as práticas de arte de rua podem tornar-se cúmplices dos processos de gentrificação urbana.

 

15h30 – 18h: Mesa Redonda - O papel da arte engajada (ativista) e seus beneficiários, Ali Taptik, Comboio e Moinho Vivo, Grupo Contrafilé, Meir Tati, Serkan Taycan

 


 

 


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